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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Diminui o pessimismo na indústria da construção

Pesquisa da CNI observa que a concretização das expectativas pode trazer um pouco de alívio
ao setor, que enfrenta sucessivas quedas na atividade e no emprego e elevada ociosidade
Os empresários da construção civil começam 2017 menos pessimistas do que em 2016. Embora todos os indicadores de expectativas para os próximos seis meses estejam abaixo da linha divisória dos 50 pontos, que separa as perspectivas positivas das negativas, há uma melhora em relação a janeiro de 2016. O índice de expectativas sobre o nível de atividade subiu de 37,7 pontos em janeiro de 2016 para 47,4 pontos neste mês. No mesmo período, o indicador de expectativa de número de empregados aumentou de 37,0 pontos para 45,7 pontos e o de novos empreendimentos e serviços passou de 37,1 pontos para 46,6 pontos, informa a Sondagem Indústria da Construção, divulgada nesta terça-feira, 24 de janeiro, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Se as perspectivas dos empresários para os próximos seis meses se concretizarem, o setor terá um "certo alívio" ao longo deste ano, destaca a pesquisa. De acordo com a economista da CNI Flávia Ferraz, a situação da indústria da construção é muito delicada. A melhora das expectativas é resultado do desempenho de alguns indicadores da economia, como a queda da inflação e da taxa de juros. "A redução dos juros tem impacto direto na construção, porque o setor depende de financiamentos", completa Flávia.

As perspectivas menos pessimistas também se refletiram sobre a disposição dos empresários para investir. O índice de intenção de investimentos aumentou de 25,9 pontos em dezembro de 2016 para 27,7 pontos em janeiro de 2017. Mesmo assim, continua muito abaixo da média histórica, que é de 35,2 pontos. O índice varia de zero a cem pontos. Quanto maior o indicador, maior é a propensão para os investimentos.

Mesmo com a melhora nas perspectivas, a indústria da construção repetiu em dezembro de 2016 o fraco desempenho dos meses anteriores, com atividade e emprego em queda. O indicador de nível de atividade caiu para 37,9 pontos e o de emprego recuou para 36 pontos. Os indicadores da pesquisa variam de zero a cem pontos. Quando estão abaixo dos 50 pontos indicam queda na atividade e no emprego.

Com isso, o setor operou, em dezembro, com 44% das máquinas, dos equipamentos e do pessoal parados.  A utilização da capacidade de operação ficou em 56% pelo terceiro mês consecutivo. "O percentual está 6 pontos percentuais abaixo da média histórica para o mês de dezembro", observa a pesquisa.

FINANÇAS DEBILITADAS - O levantamento mostra ainda que os empresários da construção fecharam 2016 insatisfeitos com as finanças das empresas. O indicador de satisfação com o lucro operacional ficou em 31,7 pontos e o de satisfação com a situação financeira foi de 36 pontos no terceiro trimestre do ano passado. Os indicadores variam de zero a cem pontos. Quando estão abaixo de 50 mostram que os empresários estão insatisfeitos.

Além disso, as condições para obtenção de financiamentos bancários pioraram. O índice de facilidade de acesso ao crédito caiu 3 pontos do terceiro para o quarto trimestre e ficou em 25 pontos, muito abaixo da linha divisória dos 50 pontos que separa a facilidade da dificuldade de acesso ao crédito.

OBSTÁCULOS À ATIVIDADE - De acordo com a Sondagem, a demanda interna insuficiente, assinalada por 39,3% dos entrevistados, a elevada carga tributária, com 36,1% das menções, e as altas taxas de juros, com 34,9% das respostas, foram os principais problemas enfrentados pelo setor no quarto trimestre de 2016. Em seguida, os empresários citaram a falta de capital de giro e a inadimplência dos clientes.

Esta edição da Sondagem Indústria da Construção foi feita entre 3 e 13 de janeiro com 523 empresas. Dessas, 159 são pequenas, 238 são médias e 126 são de grande porte.

Veja a íntegra da pesquisa no Portal da Indústria

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