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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

"Dormir mal é um problema de saúde pública", diz especialista


Ao passar do tempo, o ser humano vai dormindo cada vez menos. O recém-nascido, por exemplo, contabiliza 18-20 horas de sono por dia. Na idade adulta, dorme-se por volta de 7-8 horas. Na terceira idade, há uma desregulação do sono. O idoso passa a dormir mais cedo e menos (5-6 horas) e desperta mais cedo. “A explicação biológica para essa mudança vem, talvez, de uma questão protetiva dos nossos ancestrais pela busca da sobrevivência. O ciclo sono-vigília era muito importante há 100 anos quando não se tinha luz elétrica. Era fundamental estar protegido à noite. Então, os idosos que tinham essa capacidade de dormir menos e se proteger no momento mais vulnerável foram os que desenvolveram mais”, disse o neurologista e especialista em Sono Fernando Morgadinho, que será o entrevistado do Ponto a Ponto inédito deste sábado (4), às 23h, na BandNewsTV, com a jornalista Mônica Bergamo e o sociólogo Antonio Lavareda. 

Fernando Morgadinho, que participa do time de profissionais do Instituto do Sono, em São Paulo, diz que os descendentes irão se adaptar à nova realidade do sono, “mas será um processo lento”. Segundo ele, "as gerações mais novas vão sofrer muito mais do que a nossa geração. A gente vai dormir cada vez pior”. Os distúrbios do sono podem causar diversas doenças, porque quem dorme bem tem menos chances de desenvolver problemas relacionados à obesidade, diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares. O bom sono pode ajudar no fortalecimento da memória e melhorar o desempenho físico, no trabalho e até o humor. “Por isso que dormir mal é um problema de saúde pública”, argumenta.

“Na nossa sociedade, infelizmente, o sono não é valorizado como deveria. Os exames de sono não são disponibilizados no Sistema Único de Saúde”. Ao fim, Morgadinho apresenta algumas dicas de como ter um bom sono à noite. “Primeiro, ter uma vida saudável, é muito importante exercício físico. Devemos nos expor à luminosidade pela manhã, não se expor depois das 10 da noite, evitar usar álcool antes de dormir. Cafeína só até às 17h. E lembrar que o quarto deve ser usado para duas coisas: ou para namorar ou para dormir. Televisão, nunca!”, lembra. 

A entrevista do Ponto a Ponto ganha reprise no domingo (5), às 17h.

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