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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Empresas focam em menos clientes e mais qualidade

O conceito de “escritório boutique” vem ganhando cada vez mais espaço no país

Uma forte tendência que está ganhando espaço no Brasil são os chamados “escritórios boutiques”. O conceito é baseado em empresas que optam em atender um número menor de clientes para oferecer um serviço exclusivo e de qualidade. Segundo o professor de empreendedorismo do Instituto Superior de Administração e Economia (ISAE), Erlon Labatut, esse modelo de negócio é algo positivo, desde que sejam tomados alguns cuidados no seu planejamento e gestão. “Como em todo empreendimento, uma boa ideia é fundamental, mas existe um caminho a ser percorrido para que a ideia se transforme em um negócio lucrativo e sustentável no longo prazo”, comenta o especialista.

Um exemplo desse novo modelo é a empresa curitibana saad branding+design, que por meio de uma estrutura enxuta, escolhe projetos que se adaptem ao seu posicionamento. Segundo Lucas Saad, direto da empresa, esse método “boutique” tem como objetivo trabalhar com mais qualidade através da imersão adequada em cada caso e da exclusividade de cada projeto, olhando para todos os detalhes. Trazendo para o cliente um olhar “outsider”, ou seja, um olhar de todos os ângulos para entregar os resultados necessários para cada cliente. “Para nós, essa é a forma correta e mais efetiva de se trabalhar para atingir resultados que realmente tragam impactos e preparem marcas para o futuro”, explica Saad. 

Para o professor Erlon Labatut, os principais benefícios estão ligados ao atendimento personalizado, que é uma demanda cada vez maior do consumidor e a um custo fixo menor resultante da estrutura enxuta. “Este tipo de negócio que tem um foco bem definido normalmente consegue concentrar sua energia em poucas coisas, resultando assim em entregas (produtos/serviços) que realmente atendem as necessidades dos clientes gerando grande satisfação, mesmo com uma equipe pequena”, detalha.

Outras vantagens do atendimento exclusivo começam pelo atendimento presencial em todas as fases do projeto, além da possibilidade de escolha da equipe que irá atingir os resultados desejados, com profissionais parceiros altamente qualificados em suas áreas, respeitando o tempo adequado para cada fase do projeto. “Nós entregamos ferramentas e conhecimentos para criar experiências, persuasão e significado para os consumidores”, comenta Saad. Para o empresário, essa é uma área de negócio que tender a crescer cada vez mais, já que o público consumidor tem mudado e ficado ainda mais exigente com as marcas que consome. E para acompanhar esse processo, o mercado e os gestores precisam criar marcas que dialoguem com as pessoas e o branding é um grande facilitador deste processo.

Para Saad, a confiança é outro ponto positivo do negócio, já que existe tempo hábil para dedicar-se a cada projeto desenvolvido, as empresas sentem-se mais seguras com as mudanças que devem ser trabalhadas. “Aqui na consultoria temos vários exemplos de como esse modelo de negócio é benéfico. Como a Oigo, uma empresa de comunicação e áudio de Santa Catarina, aumentou seu faturamento em 300% em 3 anos e hoje destaca-se em seu mercado de atuação mesmo entre os grandes players. Já a Nastek é líder nacional em automação e comunicação com 90% de market share em empresas de energia e um de seus produtos, o Yon Bike Lamp, foi reconhecido em importantes sites como Yahoo! Finance, Business Wire, Fox News, CBS e Business Report, além de ter iniciado sua expansão internacional nos Estado Unidos”.

Labatut afirma que essa é sim uma tendência, que é um conceito está alinhado com outras tendências já consolidadas. Observando o mercado é possível identificar que negócios que envolvem habilidades e sensibilidades humanas são mais difíceis de serem automatizados e assim deixam de ser interessantes para grandes empresas, que tem foco no volume. Por outro lado, pequenas empresas podem tirar proveito disto, atendendo nichos tem necessidades específicas e estão dispostos a pagar um pouco mais por isto. “Como uma estrutura pequena, mesmo que o número de clientes não seja grande o negócio pode ser bastante lucrativo”, conta o professor.

Para finalizar, o professor do ISAE acrescenta que esse é um mercado que tende a crescer, já que existem vários nichos que podem ser atendidos, ao mesmo tempo que é crescente a demanda por serviços mais especializados e com atendimento realmente diferenciado. “Existe um desafio que é o cenário de crise em que vivemos atualmente, se a economia melhorar as expectativas são muito boas, caso a crise continue ou até se agrave o crescimento deste tipo de negócio deve ser também impactado”, finaliza.

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