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terça-feira, 4 de abril de 2017

AVANÇO DO ENSINO A DISTÂNCIA ESBARRA NA APLICAÇÃO E NO CONTEÚDO


Os dados mais recentes apontam para um crescimento exponencial do Ensino a Distância (EAD) no Brasil: são mais de 3,8 milhões de alunos inscritos em cursos online, segundo dados do IBGE divulgados no ano passado. Este número era três vezes menor em 2013.

A despeito da recessão de 2015 e 2016, é relativamente fácil apontar os motivos desta ascensão. Os preços mais acessíveis, os horários flexíveis e a expansão do mercado de smartphones nos últimos anos faz do EAD uma opção excelente para quem quer investir em educação de maneira assertiva.

Tarefa mais ingrata é entender por quê o Ensino a Distância no Brasil ainda não atingiu o seu potencial máximo de crescimento e ainda enfrenta barreiras em diversas esferas, principalmente junto à determinada parcela das instituições de ensino país afora.

Segundo Eline Cavalcanti, CEO da Elfus, consultoria em gestão organizacional especialista em negócios educacionais e e-Learning, o principal desafio da implantação de um programa de EAD, por incrível que pareça, reside no conteúdo. Isto porque, ainda que a atividade principal de uma instituição de ensino seja a sua excelência acadêmica (professores titulados e processo de avaliação coeso e robusto), “isso tudo é desconstruído, ou melhor, reconstruído no processo de implantação do Ensino a Distância”. Ela afirma: “A grande chave deste processo está na capacidade de identificar uma equipe docente qualificada em termos de produção de conteúdo, estética, e conhecimento de recursos de tecnologia virtual”.

Na prática, a exigência da experiência em sala de aula cai por terra. “Um bom professor de sala de aula presencial não é sinônimo de um bom conteudista ou tutor. Isso pode ser muito injusto ao primeiro olhar, mas o fato é que essas são atividades parecidas, mas com competências e habilidades diferentes”, explica a executiva.

A verdade é que, para obter sucesso, o programa de EAD deve ser construído sobre bases próprias e exclusivas, sem tomar emprestadas as bases do curso presencial. “Exemplo disso é a capacidade, amplamente discutida, de como as pessoas se relacionam de uma maneira diferente nas redes sociais e na ‘vida real’”, aponta Eline.

Outra barreira enfrentada pelo o EAD consiste na desfragmentação do processo de produção do conteúdo. A executiva da Elfus alerta: “O que conhecemos e aplicamos de maneira geral é: a construção de conteúdo, a customização para o online pelo designer instrucional, a transformação gráfica pelo designer gráfico, a revisão e a criação de processos avaliativos. Normalmente, cada fase é encabeçada por um profissional diferente. A qualidade do programa está diretamente relacionada à consistência desse conteúdo, que não deve ser perdida nesse processo”.

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