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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Polícia Federal investiga gestores da Caixa por negócio com grupo de Silvio Santos


A Polícia Federal cumpre na manhã desta quarta-feira (19) 46 mandados de busca e apreensão contra gestores da Caixa Econômica Federal. Eles investigam possível aquisição fraudulenta de ações do Banco Panamericano, do Grupo Silvio Santos, pela Caixapar (Caixa Participações S.A.). A Operação Conclave, como foi batizada, também apura possíveis prejuízos causados a correntistas e clientes.

O negócio foi realizado em 2009, quando o Panamericano descobriu um rombo de R$ 4,3 bilhões. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, em março de 2012, o ex-presidente do Grupo Silvio Santos, Luiz Sandoval, falou sobre o negócio.

— Muitos bancos menores tentaram ter a Caixa como sócia. Mas que banco tinha Silvio Santos como dono? Isso deixou a Caixa com olhos grandes. A Caixa também teria anúncios no SBT, desfrutando dos mesmos descontos dados às empresas do grupo.

Segundo Sandoval disse à época, as negociações envolveram até o então Ministro da Fazenda, Guido Mantega, que “garantiu que o negócio interessava ao governo e iria sair”.

Cerca de 200 policiais federais cumprem os mandados, expedidos pela 10ª Vara Federal de Brasília/DF. São 30 pedidos de busca e aprensão em São Paulo (SP), seis no Rio de Janeiro (RJ), seis em Brasília (DF), um em Belo Horizonte (MG), um em Recife (PE) e dois em Londrina (PR). Não haverá coletiva de imprensa. A Justiça ainda determinou a indisponibilidade e o bloqueio de valores de contas bancárias dos investigados, que somam R$ 1,5 Bilhão.

A compra das ações do Panamericano pela Caixapar é investigada por ter, possivelmente, causado prejuízos aos cofres públicos.

Durante as investigações, foram identificados alguns núcleos criminosos: de agentes públicos, responsáveis diretos pela assinatura dos pareceres, contratos e demais documentos que culminaram com a compra e venda de ações do Banco Panamericano pela Caixapar e com a posterior compra e venda de ações significativas do Banco Panamericano pelo Banco BTG Pactual S/A; e o núcleo de consultorias, contratadas para emitir pareceres a legitimar os negócios realizados, e o núcleo de empresários que, conhecedores das situações de suas empresas e da necessidade de dar aparência de legitimidade aos negócios, contribuíram para os crimes em apuração.

O nome da operação faz alusão ao ritual que ocorre a portas fechadas entre cardeais na Capela Sistina, na cidade do Vaticano, com a intenção de escolher um novo Papa para a igreja católica. Ele foi escolhido em razão da forma sigilosa com que foram tratadas as negociações para transação entre o Banco Panamericano e a Caixapar.

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