OFERTAS

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Povo dominado

Por Amadeu Roberto Garrido de Paula

Vejo meu povo lutador e desconcertado. Olhos de jovens parecem ter chorado.

E o resto insensível. Vejo mais, muito mais, desespero.

Num País que viveu quinhentos anos. E mais dezessete em que continuou doente e trêmulo. Claudicante, embora sejam poucos nossos Cláudios, provável Vladimir Herzog da Inconfidência.  Lutou-se, em desigualdade brutal, pelos mesmos valores éticos que ainda defendemos, passados três séculos.  A derrama não tinha impostômetros,  eram figuras heroicas que se escondiam pelas noites de Ouro Preto. O roubo, a tomada à força, a apropriação nefanda, pelo nome de impostos legítimos e normatizados.

Pelo menos, sabíamos que sustentavam a Coroa. Não seguiam a fundo perdido, ou presos em cuecas e calcinhas. Sabíamos os nomes dos reis e de seus puxa-sacos. E continuávamos martelando e peneirando nas minas das gerais. Sem saber que Deus enfeitara nosso susolo com materiais de pedras reluzentes que fariam pasmar até Constantinopla e o Império Bizantino, que o velho mundo ocidental invejava.

Hoje ainda temos riquezas incomensuráveis abaixo das terras em que pisamos. Nem pensar em nos proporcionar técnicas de descobertas. Talvez as chamadas "terras ricas". Estas não atraem milhões, nem bilhões, mas trilhões, Pibs de muitos mundos. Os chineses sabem muito bem disso.

Vejo reformas, trabalhistas e da previdência. Vejo terceirizados.

 Apesar de uma ou outra praça, uma ou outra avenida Paulista, dado aviltamento de nossas vontades e dignidade pelo silêncio indecoroso ou discursos catilínicos, permanecemos ignorantes do macro, enfurnados no micro de nossos negócios ou deveres particulares.

Assim nos domesticaram, como se domestica um cão. E não vejo, no horizonte de nossa poesia, o chapéu de Walt Witmann.

Amadeu Roberto Garrido de Paula, é Advogado e sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.

Nenhum comentário: