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terça-feira, 16 de maio de 2017

UFRN promove Ciclo de Leituras Dramáticas


O Departamento de Artes (DEART) da UFRN realiza de 23 a 26 de maio o I Ciclo de Leituras Dramáticas, PALAVRAR. O evento gratuito é uma ação do projeto de extensão Banco de Textos Teatrais e acontecerá no Teatro Jesiel Figueiredo do DEART, sempre às 19:45. Ele propõe ao público o dizer de peças teatrais de autores eminentes. A cada noite a plateia acompanhará a leitura de uma peça diferente, a partir das palavras, sons e atmosferas do texto. 

Para a sua primeira edição o PALAVRAR convidou o grupo de teatro Clowns de Shakespeare que lerá as peças Flores arrancadas à névoa, de Arístides Vargas, no dia 23, e A seda e a larva, de César Ferrario, fechando a mostra no dia 26. O ciclo também mistura atores natalenses a alunos da graduação em Teatro dirigidos pelos professores Sávio Araújo, em A última gravação de Krapp, de Samuel Beckett, no dia 24 e no dia 25, Laura Figueiredo em O trovador encantando, de Lourdes Ramalho.

Cada leitura do PALAVRAR será precedida de uma breve explanação pelo diretor acerca do texto, autor e processo. A ideia do projeto é ser didática, levar a palavra dramática tanto para o público habituado a ela quanto para quem nunca foi ao teatro. Espera-se fomentar um público espectador e leitor de Teatro, abrindo espaço para uma experiência diferenciada de plateia que fortaleça o sentido de comum união com o Teatro e de pertencimento à obra de arte.

O evento é uma ação de extensão do projeto Banco de Textos Teatrais do Departamento de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Coordenado pelo professor de Dramaturgia e História do Teatro André Carrico, o projeto constroi, desde o ano passado, um acervo físico de peças dramáticas na Biblioteca Setorial do DEART e que está à disposição não apenas dos alunos dos cursos da UFRN, como também à comunidade natalense em geral. A ideia do ciclo é divulgar, ao longo de quatro leituras públicas, esse acervo de textos e estimular a percepção dos ouvintes através da audiência da palavra dramática ao vivo, na boca dos atores.

O ciclo também almeja divulgar o trabalho artístico de docentes e discentes da UFRN e promover o diálogo entre a universidade e os grupos de teatro da cidade.

O que é uma leitura dramática?

Leitura dramática é a montagem de um texto teatral sem, necessariamente, contar com a ação física completa. Mesmo nos casos em que o encenador ou grupo estabeleça uma marcação para o elenco, o texto e as rubricas não foram decorados como numa montagem finalizada.

PROGRAMAÇÃO

Sempre às 19:45

23 de maio – Flores arrancadas à névoa, de Arístides Vargas, tradução de Celso Curi. Direção: Fernando Yamamoto (Grupo Clowns de Shakespeare).
Elenco: Titina Medeiros e Múcia Teixeira.

24 de maio – A última gravação de Krapp, de Samuel Beckett. Direção: Sávio Araújo.

25 de maio – O trovador encantando, de Lourdes Ramalho. Direção: Laura Figueiredo.

Elenco: Melissa Lopes, Ana Clara Veras, Samara Silveira, Geraldo Jr., Alberto Villar de Mello, Elisiana Silva, Wandeson Oliveira.

26 de maio –A seda e a larva, de César Ferrario. Direção: César Ferrario (Grupo Clowns de Shakespeare).

Elenco: Fernanda Nascimento e Naara Martins.

Coordenação geral do ciclo: André Carrico

SOBRE OS DIRETORES E ELENCOS

Clowns de Shakespeare: Estabelecido em Natal há 24 anos – onde inclusive mantém uma sede, o Clowns traz no seu currículo importantes conquistas que conferem uma posição de referência na cena potiguar e nacional, passando por cerca de 80 cidades brasileiras, dentre elas, 24 capitais e o Distrito Federal, e ainda percorrendo mais de 30 cidades do interior do Rio Grande do Norte. Além disso, atravessou as fronteiras do país, levando seus espetáculos para Portugal, Espanha, Chile, Equador, Uruguai. Premiado pelos seus espetáculos (SHELL, APCA, dentre outros), o grupo já se apresentou em diversos festivais importantes do país, inclusive os do circuito internacional (Festival de Teatro de Curitiba, de São José do Rio Preto, Londrina, Brasília e Belo Horizonte), bem como realizou temporadas em teatros de notável importância histórica, como o SESC Anchieta, o SESC Pompéia e o SESI Vila Leopoldina (SP) e o Teatro Alterosa (BH). E já foi dirigido por encenadores como Gabriel Vilela, Renato Carrera e Márcio Aurélio.

Titina Medeiros: Tem 21 anos de carreira, em grande parte em peças teatrais dos Clowns de Shakespeare, na quais viveu incontáveis personagens, como na premiada peça Sua Incelência, Ricardo III, em que faz o papel de rainha Elizabeth, além de Dos Prazeres e dos Pedaços, Muito Barulho Por Quase Nada, Roda Chico, entre outros. Na TV, na Rede Globo, atuou nas novelas Cheias de Charme, como Socorro, Geração Brasil, como Marisa e A Lei do Amor como Ruty. 

Fernando Yamamoto: Atuante desde 2003, dirigiu em parceria com Eduardo Moreira, do Grupo Galpão, Muito Barulho por Quase Nada, espetáculo que marcou uma guinada na história do grupo, participando de importantes festivais nacionais. Em 2005, atuou e dirigiu, ao lado de Marco França, o espetáculo Roda Chico, o espetáculo infanto-juvenil Fábulas, 2007, que lhe rendeu diversos prêmios entre os quais se destacam o FEMSA/Coca-Cola e APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte), ambos na categoria Melhor Diretor. No mesmo ano, O Casamento, de Brecht, sendo duplamente premiado no XII Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga nas categorias Melhor Diretor e Melhor Cenário. Em 2009 dirigiu O capitão e a sereia. Foi ainda assistente de direção de Gabriel Villela em Sua Incelença Ricardo III, montagem que vem acumulando participações em importantes festivais nacionais. Em 2001 participou do projeto "Nova Dramaturgia Brasileira", dirigindo A Mulher Revoltada, de Xico Sá.

César Ferrario: Ator desde os anos 1990, no teatro atuou em Hamlet um relato dramático medieval, Dois Amores y um Bicho, Sua Incelença Ricardo III, entre outros. Na TV, atuou em novelas como Cheias de Charme (Morvan) e na mini-série Amores Roubados (Bigode de Arame). Como dramaturgo, destacam-se Guerras, Formigas e Palhaços, Abrazo, Quintal de Luís e Desafios.

Sávio Araújo: Pós-Doutorado pela University British Columbia (Canadá) e doutor em Educação, é professor do curso de Licenciatura em Teatro da UFRN. Na instituição, já foi coordenador do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas e vice-coordenador do curso de Teatro. Atua principalmente nos seguintes temas: ensino de teatro, cenografia, tecnologia cênica, encenação, pedagogia do teatro e economia da cultura. Com o grupo Clowns de Shakespeare dirigiu A Megera DoNada, em 1998. Dirigiu ainda a ópera Bastien e Bastienne, a peça Vestido de Noiva, entre outros.

 Laura Figueiredo: Mestre em Artes Cênicas e Licenciada em Teatro pela Universidade de São Paulo (USP). Professora do DEART onde desenvolve, junto ao Laboratório de Estudos Cenográficos e Tecnologias da Cena, materiais didáticos para o ensino de Cenografia e Iluminação Cênica. Como iluminadora de 1985 a 2013, trabalhou com grandes nomes do teatro brasileiro, entre eles, Fauzi Arap, Aderbal Freire-Filho e Juca de Oliveira.

SOBRE AS PEÇAS:

Flores arrancadas à névoa 

Do autor argento-equatoriano Arístides Vargas, traduzida por Celso Curi. Duas mulheres se encontram numa estação de trem, num lugar não especificado. Um não-lugar em um não-tempo onde o relógio corre de forma perpendicular à realidade cotidiana. Esperam por um trem que já passou. Ou que passará? Durante esse tempo, se abrirá o espaço da memória pessoal e do desterro.

A última gravação de Krapp

Do irlandês Samuel Beckett, pai do Teatro do Absurdo e prêmio Nobel de 1969. Um velho numa mesa escuta, através de seu gravador, seus próprios depoimentos registrados em diversas fases da sua vida. A cada ano o personagem Krapp escuta alguns destes depoimentos, nos quais ele já não se reconhece. À medida que ele escuta as suas gravações e percebe que já não possuem mais a mesma importância, vão sendo desdobradas várias vozes díspares dentro de uma estrutura monológica. A estrutura dramatúrgica enfatiza reconhecimentos da ordem do banal, ao invés da valorização de marcos históricos na vida de um sujeito.

O trovador encantando

Da potiguar Lourdes Ramalho, radicada em Campina Grande - PB. Dividida em 14 cenas, O trovador encantado é um cordel dramático escrito em 1999. No núcleo dramático, a influência da cultura ibero-judaica para a formação do povo brasileiro e principalmente, do cantador de viola. Conta a história de um tocador de viola que some repentinamente tomando destino ignorado após ser condenado pela Inquisição. Toda a ação dos personagens está organizada em 14 cenas distribuídas pela fala da Beata, Mulher Dama, Padre Durão Pinto Mole, Zé Cudeflor, Bruxa e o Inquisidor.

A seda e a larva

Leitura inédita dirigida pelo próprio autor, o potiguar César Ferrario. Texto denso e profundo que discorre acerca da humanidade, dos pequenos ciclos de vida e morte entrelaçados por infinitos fios, invisíveis. A cada rei que se apresenta identificamos um lugar/momento diferente da História. Seus ciclos, de ir e vir. No diálogo entre a Mestra e a Aprendiz, a impermanência dos ciclos que se revezam.

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