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terça-feira, 4 de julho de 2017

Os obstáculos a serem vencidos para a retomada do crescimento

Por: Reginaldo Gonçalves

A economia brasileira apresenta sinais isolados de recuperação. Isso é percebido pelas atitudes dos empresários em, aos poucos, retomar os investimentos, embora de maneira tímida. O desemprego, contudo, segue muito elevado, fator que demonstra haver muito ainda a ser feito para retornarmos à normalidade. Para isso, é necessário superar numerosos obstáculos.

Um deles é o juro, que, apesar das reduções paulatinas da Selic, segue muito elevado, onerando as empresas endividadas. Soma-se isso à alta carga tributária e à pressão do governo para receber impostos. Nesse contexto, restam poucos recursos para investimento.

No presente cenário, as reformas previdenciária e trabalhista, em andamento no Congresso Nacional, apesar de contarem com o apoio do setor empresarial, são vistas como medidas impopulares pelos sindicatos de trabalhadores e por parcela expressiva da população. Muitos sentem-se prejudicados pelas mudanças das regras da aposentadoria e temem perder direitos trabalhistas. Outros projetos estão a caminho para aumentar a arrecadação do governo, como a possibilidade de privatização de empresas estatais e a busca de recursos por meio de processos de licitação para exploração ou gestão de serviços públicos. Tais iniciativas precisam ser tomadas rapidamente para que a economia inicie uma trajetória de recuperação.

Outra dificuldade a ser superada é a desconfiança dos investidores, inclusive os estrangeiros, devido às seguidas denúncias no âmbito da Operação Lava Jato, que atingem os mais altos escalões da República, inclusive o presidente Michel Temer, acusado de corrupção passiva pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, depois da bombástica revelação relativa à JBS. A instabilidade política é grande, gerando insegurança no empreendedorismo e o adiamento de projetos da iniciativa privada e do próprio governo, já que os principais esforços do Executivo são no sentido de se manter e o desfecho da Lava Jato ainda demorará. Assim, as indefinições seguem, o que dificulta muito a recuperação econômica.

Para que a retomada do crescimento do PIB seja vigorosa e duradoura, é preciso que os processos, julgamento e sanções penais de todos os denunciados sejam concluídos, para que o quadro político esteja devidamente saneado. A dúvida é se haverá alguém capaz de conduzir o Brasil, numa eleição indireta agora, caso Temer seja afastado, ou numa direta em 2018, caso ele consiga manter-se no cargo. Com a maioria de nossos políticos de renome citada na Lava Jato e num vácuo de lideranças, teremos dificuldades para chegar a um nome de consenso.

É nesse complexo cenário que a economia dá tímidos sinais de recuperação e que terá de encontrar saídas em curto prazo, por meio do esforço de superação e criatividade dos setores produtivos. A bola está com a iniciativa privada. 

*Reginaldo Gonçalves é coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina (FASM).

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