sábado, 15 de setembro de 2018

O nervo de nosso drama

As pessoas cultas de nosso país passaram a divulgar "fake news" nas redes sociais.

Gostaríamos muito de ser contestados, mas o jornalista Eugênio Bucci invoca o testemunho das instituições de controle da veracidade, como o Comitê Gestor da Internet no Brasil, o Conselho Regional de Biblioteconomia, a Justiça Eleitoral e o Projeto Comprova ("O Estado", 11.9).

O uso das redes sociais para registrar cibermentiras não nos tocaria tanto, se fosse restrito aos deficientes de formação educacional e cultura.

Contudo, pessoas informadas e formadas têm a obrigação de repelir com profunda determinação as inverdades. Isso porque elas são desconstrutivas, primeiramente da pessoa e, por consequência, do grupo humano que integra. Com um ford velho e mentiras não se vai longe.

Kant foi o filósofo que maior apreço deu ao valor verdade. Isso porque, como sabemos, foi o criador do pensamento filosófico dito transcendental. Quer isso dizer que os fatos não são como aparentam na realidade, mas essencialmente como se apresentam segundo as garras apreensoras de nosso intelecto. Logo, se este está enlameado por mentiras,

tudo se desmancha no ar.

Tanto considerava indescartável a verdade que uma de suas grandes obras é a "Crítica da Razão Prática", demonstrativo da imprescindibilidade da ética - que se desfaz sob as mentiras, como vemos, entristecidos, em nossas vidas diárias.

A mentira somente se justifica para preservar um bem maior, como, por exemplo, ao ocultarmos uma provável vítima da sanha de seu assassino perseguidor.

Essa degradação da consciência de nossos homens cultos, acima de todos os demais desafios, não nos levará a construir uma nação, mas nos condenará a permanecer num povoado árido, insignificante, oásis no meio de um deserto de areias incandescentes, de vida improvável.

Amadeu Garrido de Paula

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