domingo, 4 de novembro de 2018

Bolsonaro prova que figura de marqueteiro não é fundamental para eleger bons candidatos

As eleições de 2018, de estaduais à presidencial, deixaram de lição um novo modelo que revelou: a figura do marqueteiro político foi abolida.

O presidente eleito Jair Bolsonaro que diga.

Fez uma campanha às avessas da que seria uma planejada por um marqueteiro famoso e uma equipe tão famosa quanto.

O pensador de Bolsonaro era ele mesmo, e a equipe de comunicação se resumia a Carlos, o filho vereador e considerado o mais radical da família – que tem ainda um eleito deputado federal e outro eleito senador.

Carlos sabe desenrolar bem a questão de redes sociais e era quem postava o que o pai queria dizer

Durante a campanha foram 1.267 postagens só no Twitter e Facebook. Uma média de 17 postagens por dia. (17: o número).

Fora isso, as lives – entradas ao vivo – no Facebook, coordenadas por Carlos, onde Bolsonaro falou o que quis, sem texto nem direção de marqueteiro.

E sem cenário limpo e perfeito como mostra a foto abaixo.


Bolsonaro ganhou a eleição, será presidente da República a partir de 1º de janeiro de 2019, e deverá se manter assim: dono do seu pensamento e da sua voz.

Só fala o que quer e para quem quer.

Prova disso foi a entrevista coletiva que deu, e que barrou os jornais impressos Folha, O Globo e Estadão.

Só abriu a casa para emissoras de TV e 3 portais de notícias: Reuters, Uol e G1.

O formato que deu certo na campanha, já assusta no governo.

Tanto que jornalistas conhecidos da grande mídia, como revela O Globo de hoje, já foram convidados para assumir a Comunicação, e não aceitaram.

Receio de não conseguir desenvolver um trabalho considerado tradicional e ter que se adaptar ao formato criado por Bolsonaro e pelo filho vereador Carlos.

Que já acertou que continuará comandando as redes sociais do pai presidente.

Com esse novo modelo de comunicar, o presidente Bolsonaro também deverá abolir o uso caro de cadeia de emissoras de televisão para fazer pronunciamentos.

Suas contas no Facebook e Instagram, sob o comando de Carlos, deverão dar conta da comunicação com o país.

Para isso Bolsonaro conta com 8 milhões de seguidores no Facebook, 5,4 milhões de seguidores no Instagram, 1,9 milhão no Twitter e 2 milhões de inscritos no canal do YouTube.

Estrutura e formato perfeitos para um candidato queridinho e um presidente em início de governo, sem desgastes nem insatisfações populares.

Os milhões de seguidores continuam dando suporte ao presidente até que sejam incomodados.

Se algo não der certo no Governo, serão milhões de seguidores falando o que Bolsonaro nunca quis ouvir.

Os seguidores na contramão passarão a ser o grande calo de Bolsonaro, que terá que profissionalizar sua equipe de comunicação para salvar a sua imagem.

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